domingo, 3 de outubro de 2010

NOSSOS DIAS MELHORES NUNCA VIRÃO?

Ando em crise, numa boa, nada de grave. Mas, ando em crise com o tempo. Que estranho "presente" é este que vivemos hoje, correndo sempre por nada, como se o tempo tivesse ficado mais rápido do que a vida, como se nossos músculos, ossos e sangue estivessem correndo atrás de um tempo mais rápido.

As utopias liberais do século 20 diziam que teríamos mais ócio, mais paz com a tecnologia. Acontece que a tecnologia não está aí para distribuir sossego, mas para incrementar competição e produtividade, não só das empresas, mas a produtividade dos humanos, dos corpos. Tudo sugere velocidade, urgência, nossa vida está sempre aquém de alguma tarefa. A tecnologia nos enfiou uma lógica produtiva de fábricas, fábricas vivas, chips, pílulas para tudo.

Temos de funcionar, não de viver. Por que tudo tão rápido? Para chegar aonde? A este mundo ridículo que nos oferecem, para morrermos na busca da ilusão narcisista de que vivemos para gozar sem parar? Mas gozar como? Nossa vida é uma ejaculação precoce. Estamos todos gozando sem fruição, um gozo sem prazer, quantitativo. Antes, tínhamos passado e futuro; agora, tudo é um "enorme presente", na expressão de Norman Mailer. E este "enorme presente" é reproduzido com perfeição técnica cada vez maior, nos fazendo boiar num tempo parado, mas incessante, num futuro que "não pára de não chegar".

Antes, tínhamos os velhos filmes em preto-e-branco, fora de foco, as fotos amareladas, que nos davam a sensação de que o passado era precário e o futuro seria luminoso. Nada. Nunca estaremos no futuro. E, sem o sentido da passagem dos dias, da sucessibilidade de momentos, de começo e fim, ficamos também sem presente, vamos perdendo a noção de nosso desejo, que fica sem sossego, sem noite e sem dia. Estamos cada vez mais em trânsito, como carros, somos celulares, somos circuitos sem pausa, e cada vez mais nossa identidade vai sendo programada. O tempo é uma invenção da produção. Não há tempo para os bichos. Se quisermos manhã, dia e noite, temos de ir morar no mato.

Há alguns anos, eu vi um documentário chamado Tigrero, do cineasta finlandês Mika Kaurismaki e do Jim Jarmusch sobre um filme que o Samuel Fuller ia fazer no Brasil, em 1951. Ele veio, na época, e filmou uma aldeia de índios no interior do Mato Grosso. A produção não rolou e, em 92, Samuel Fuller, já com 83 anos, voltou à aldeia e exibiu para os índios o material colorido de 50 anos atrás. E também registrou, hoje, os índios vendo seu passado na tela. Eles nunca tinham visto um filme e o resultado é das coisas mais lindas e assustadoras que já vi.

Eu vi os índios descobrindo o tempo. Eles se viam crianças, viam seus mortos, ainda vivos e dançando. Seus rostos viam um milagre. A partir desse momento, eles passaram a ter passado e futuro. Foram incluídos num decorrer, num "devir" que não havia. Hoje, esses índios estão em trânsito entre algo que foram e algo que nunca serão. O tempo foi uma doença que passamos para eles, como a gripe. E pior: as imagens de 50 anos é que pareciam mostrar o "presente" verdadeiro deles. Eram mais naturais, mais selvagens, mais puros naquela época. Agora, de calção e sandália, pareciam estar numa espécie de "passado" daquele presente. Algo decaiu, piorou, algo involuiu neles.

Lembrando disso, outro dia, fui atrás de velhos filmes de 8mm que meu pai rodou há 50 anos também. Queria ver o meu passado, ver se havia ali alguma chave que explicasse meu presente hoje, que prenunciasse minha identidade ou denunciasse algo que perdi, ou que o Brasil perdeu... Em meio às imagens trêmulas, riscadas, fora de foco, vi a precariedade de minha pobre família de classe média, tentando exibir uma felicidade familiar que até existia, mas precária, constrangida; e eu ali, menino comprido feito um bambu no vento, já denotando a insegurança que até hoje me alarma. Minha crise de identidade já estava traçada. E não eram imagens de um passado bom que decaiu, como entre os índios. Era um presente atrasado, aquém de si mesmo. A mesma impressão tive ao ver o filme famoso de Orson Welles, It's All True, em que ele mostra o carnaval carioca de 1942 - únicas imagens em cores do País nessa década. Pois bem, dava para ver, nos corpinhos dançantes do carnaval sem som, uma medíocre animação carioca, com pobres baianinhas em tímidos meneios, galãs fraquinhos imitando Clark Gable, uma falta de saúde no ar, uma fragilidade indefesa e ignorante daquele povinho iludido pelos burocratas da capital. Dava para ver ali que, como no filme de minha família, estavam aquém do presente deles, que já faltava muito naquele passado.

Vendo filmes americanos dos anos 40, não sentimos falta de nada. Com suas geladeiras brancas e telefones pretos, tudo já funcionava como hoje. O "hoje" deles é apenas uma decorrência contínua daqueles anos. Mudaram as formas, o corte das roupas, mas eles, no passado, estavam à altura de sua época. A Depressão econômica tinha passado, como um grande trauma, e não aparecia como o nosso subdesenvolvimento endêmico. Para os americanos, o passado estava de acordo com sua época. Em 42, éramos carentes de alguma coisa que não percebíamos. Olhando nosso passado é que vemos como somos atrasados no presente. Nos filmes brasileiros antigos, parece que todos morreram sem conhecer seus melhores dias.

E nós, hoje, nesta infernal transição entre o atraso e uma modernização que não chega nunca? Quando o Brasil vai crescer? Quando cairão afinal os "juros" da vida? Chego a ter inveja das multidões pobres do Islã: aboliram o tempo e vivem na eternidade de seu atraso. Aqui, sem futuro, vivemos nessa ansiedade individualista medíocre, nesse narcisismo brega que nos assola na moda, no amor, no sexo, nessa fome de aparecer para existir. Nosso atraso cria a utopia de que, um dia, chegaremos a algo definitivo. Mas, ser subdesenvolvido não é "não ter futuro"; é nunca estar no presente.

Arnaldo Jabour

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Leandro, vou sentir saudades!!!!

Os Bons Morrem Jovens
Legião Urbana

É tão estranho
Os bons morrem jovens
Assim parece ser
Quando me lembro de você
Que acabou indo embora
Cedo demais
Quando eu lhe dizia
Me apaixono todo dia
É sempre a pessoa errada
Você sorriu e disse
Eu gosto de você também
Só que você foi embora...
Cedo demais!
Eu continuo aqui
Meu trabalho e meus amigos
E me lembro de você
Em dias assim
Dia de chuva
Dia de sol
E o que sinto não sei dizer...
Vai com os anjos
Vai em paz
Era assim todo dia de tarde
A descoberta da amizade
Até a próxima vez...
É tão estranho
Os bons morrem antes
Me lembro de você
E de tanta gente que se foi
Cedo demais!
E cedo demais...
Eu aprendi a ter
Tudo o que sempre quis
Só não aprendi a perder
E eu que tive um começo feliz...
Do resto não sei dizer
Lembro das tardes que passamos juntos
Não é sempre mais eu sei
Que você está bem agora
Só que neste mundo
O verão acabou.
Cedo demais!

[fique em paz]

sábado, 31 de julho de 2010

Sem sono.

Mentira.
Tô com bastante sono.
Ainda bem, porque ontem fui deitar depois das 4 da madruga e nada de sono, revirei na cama a noite inteira. Odeio isso.
Hoje tô bem cansada, foi uma noite muito divertida, morri de rir com os amigos do meu pai, o jantar estava maravilhoso e as sobremesas então... nhaaami!
Só estou aqui ainda porque tô batendo papo com um cara muito chato no msn. (mentira)
ahhahahahahah
Acho que ando assistindo muito Quinta Categoria. ahhaa
O jogo da mentira virou vício! :D
Bom, passei só pra tirar as teias de aranha daqui e dizer que depois de um bom tempo eu finalmente vou dormir tranquila.
Último dia de férias... até que enfim!
Beijo!

domingo, 25 de julho de 2010

Sono. Sono. Sono. Sono. Sono. Sono. Sono. Sono. Sono. Sono. Sono. Sono. Sono. Sono. Sono.
Sono. Sono. Sono. Sono. Sono. Sono. Sono. Sono. Sono. Sono. Sono. Sono. Sono. Sono. Sono.
Sono. Sono. Sono. Sono. Sono. Sono. Sono. Sono. Sono. Sono. Sono. Sono. Sono. Sono. Sono.
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Sono. Sono. Sono. Sono. Sono. Sono. Sono. Sono. Sono. Sono. Sono. Sono. Sono. Sono. Sono.
Sono. Sono. Sono. Sono. Sono. Sono. Sono. Sono. Sono. Sono. Sono. Sono. Sono. Sono. Sono.

Resumindo: Eu estou morrendo de sono!

sábado, 24 de julho de 2010

Viver É difícil.

Acabo de dizer isso pra alguém.
Alguém que fez e faz parte da minha existência, da minha criação e da formação que eu tive até hoje.
Cansa ouvir reclamações e nenhuma mudança. Óbvio que ela não vai mudar a esta altura do campeonato, mas cara, o que custa tapar os ouvidos? Reclamar menos? Viver MAIS?
Se eu tivesse 80 anos estaria sim cansada, é claro, porém, não me entregaria pro cansaço. Assim espero.
Graças ao bom Deus que eu recebi um click e acordei pra essa vida linda, difícil, corrida e maluca que eu vivo, Ele me livre de passar o resto dos meus dias reclamando dos outros sem olhar pro meu próprio nariz (eu ia dizer outro lugar, mas enfim...).
Odeio gritos. Odeio quando descontam em mim a raiva que sentem por outro alguém. Odeio ser step ou saco de pancadas.
Cara, eu odeio muita coisa.
Mas as coisas que eu amo se sobressaem, e o ódio fica pequeno, sem forças pra se expandir.
Posso não ser um ser perfeito aos olhos dos outros, mas ao meu ver, sou um ser em constante adaptação, constante mudança, pra melhor.
Cresço um pouco mais a cada dia, evoluo, quero isso cada vez mais. E pra que isso aconteça não depende de fulano ou ciclano, só depende de mim.
Então ó, do fundo do meu coração, peço que acalme esse coração e traga muita luz, afaste esses maus pensamentos e chute pra longe o mau humor, porque NINGUÉM MERECE.
Meus dias aqui foram os melhores de todos os tempos, não vai ser no penúltimo dia que vamos estragar tudo com aborrecimentos desnecessários, né?!

Coragem.

Nós temos. Sempre.

Um beijo pra quem lê!

quarta-feira, 14 de julho de 2010

New Perspective

I feel the salty waves come in
I feel them crash against my skin
And I smile as I respire because I know they'll never win
There's a haze above my TV
That changes everything I see
And maybe if I continue watching
I'll lose the traits that worry me

Can we fast-forward to go down on me?
Stop there and let me correct it
I wanna live a life from a new perspective
You come along because I love your face
And I'll admire your expensive taste
And who cares divine intervention
I wanna be praised from a new perspective
But leaving now would be a good idea
So catch me up on getting out of here

Taking everything for granted but we still respect the time
We move along with some new passion knowing everything is fine
And I would wait and watch the hours fall in a hundred separate lines
But I regain repose and wonder how I ended up inside

Can we fast-forward to go down on me?
Stop there and let me correct it
I wanna live a life from a new perspective
You come along because I love your face
and I'll admire your expensive taste
And who cares divine intervention
I wanna be praised from a new perspective
But leaving now would be a good idea
So catch me up on getting out of here

More to the point, I need to show
How much I can come and go
Other plans fell through
And put a heavy load on you
I know there's no more that need be said
When I'm inching through your bed
Take a look around instead and watch me go

Stop there and let me correct it
I wanna live a life from a new perspective
You come along because I love your face
and I'll admire your expensive taste
And who cares divine intervention
I wanna be praised from a new perspective
But leaving now would be a good idea
So catch me up on getting out of here

It's not fair, just let me perfect it
Don't wanna live a life that was comprehensive
'cause seeing clear would be a bad idea
Now catch me up on getting out of here
So catch me up I'm getting out of here

sábado, 10 de julho de 2010

"Quanta gente a gente vive deixando pra trás
Mas tem coisas, nesta vida, que não voltam mais"

A primeira namorada 
A professora do jardim
Companheiros de estrada 
Não se lembram mais de mim 
Amizade abandonada
Só colegas de profissão 
A família separada 
Meus vizinhos, eu nem sei quem são.

Um ótimo dia vai ser hoje.
Acredito nisso.

Beijo!